Do começo
Costumam fazer vídeos, nesse século. Mas eu tenho tantas mais palavras na mente do que consigo fazer sair pela boca, e afinal de contas, eu sempre quis ter um blog. Era o máximo, quando eu entrei na adolescência. Mas nessa época eu não tinha acesso às redes sociais, não podia ler livros, e, imagine só, escrever para estranhos! O que é engraçado se pararmos para pensar que – pasme, mamãe – eu escrevo cartas para “querida pessoa desconhecida”, que eu literalmente não sei quem é, nunca vi, sequer imagino o nome. Só sei onde mora. E só sei porque uma casas existem para esse fim. Então escrevo, dobro a folha e sem assinar coloco a carta na caixa de correio. Espero que me leiam. Mas não espero literalmente. Vou embora – literal e incansavelmente. O que tiver de ser, sempre vai ser.
Todavia, aqui eu posso me apresentar! Acho que é justo. Prazer, querida pessoa desconhecida, meu nome é Paloma Wiegand. Nasci e cresci no sul do sul do Rio Grande do Sul, de onde fugi para mudar a minha história, e agora, livre, escrevo como se não houvesse amanhã. Honestamente, sabemos se haverá? A resposta é uma negativa da qual cansei de ouvir. Portanto, melhoremos: sim, sabemos que o amanhã é um mistério, e somente isso. Sob nosso domínio temos o hoje. E quanto a ele, o que tens feito? Sou eternamente grata por saber que jamais desperdicei um, e aconteça o que for, vivo. Arrependimentos não combinam comigo. Atualmente, tenho vinte e quatro anos, morei em mais lugares do que tenho dedos para contar, sou modelo, escritora, atriz, pintora, e quase fui professora… mas eu vi que Pedagogia não fazia meu coração feliz, então fui embora. Vou cruzar passarelas de desfiles internacionais, publicar livros, pintar meus quadros e atuar no cinema, porque é disso que vive minh’alma. E se não for pra ser feliz, eu nem existo.
Tenho que estudar inglês, agora, mas eu volto. Espero sermos amigas (os).
Com amor, P.
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