Comece

 Vamos morrer. Eu sei, parece trágico voltar a fazer contato – especialmente se tratando de um segundo post num blog recém criado – apenas para lembrar de algo tão pesado. Pesado… será? É o que nos fazem querer pensar. E sabe o porquê? Não, não tirei essa resposta do futuro, nem nunca viajei para lá, apesar de não mais ter certeza se há uma linha do tempo, de fato. Mas sei que nos fazem temer a morte porque a vida aqui é boa. E quem amedronta-nos não faz ideia do que está fazendo com a ampulheta que tem em mãos. 

 Meu namorado horroriza-se sempre que digo não temer a partida. Acho graça. Não lembro como foram meus primeiros meses, minha “chegada”, minha apresentação ao mundo e à vida, mas lembro de sempre enxergar magia nos momentos que vivi. Não sei explicar se aprendi isso com o meu pai, com alguém que conheci, ou se simplesmente nasci nostálgica demais… mas sei que sempre me encontrei, encaixei, abriguei, escondi e respirei através dos livros. Foram eles a causa por trás do brilho nos meus olhos e aquecimento no peito? Não sei. Acho que veio antes de compreendê-los, mas com certeza atenuaram. No entanto, sou grata por, desde que a consciência me tomou posse, ter sabido absorver os acontecimentos, ter sentido com todo meu âmago o que a vida provoca. Com cores ou dores.

 O que quero dizer é que não precisamos ter medo de algo que acontecerá inevitavelmente, pois se trata de um fato natural. Precisamos observar o outro lado do prisma… não o ontem ou o amanhã, não o que já foi ou que o que ainda será, porque ambos são imutáveis – acredite em destino ou não. Preste atenção no hoje. O que tens feito? Vamos morrer.

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